História de Araçatuba

 

A Fundação do município

  As Bandeiras, símbolo maior do desbravamento do interior do Estado de São Paulo, ainda no período colonial, foram os primeiros grupamentos civilizados a registrar passagem por estes rincões utilizando a navegabilidade do rio Tietê. No entanto, não deixaram qualquer sinal de civilização ou povoamento. Alguns parcos registros históricos mencionam mapeamentos feitos na região com o escopo de encontrar pedras preciosas e outras riquezas que pudessem dar lucro ao império português.

  Mais tarde, já no período republicano, início do século XX, o anseio de povoar o interior do País com o intuito de pacificá-lo como nação, ratificando o trabalho iniciado pelos Bandeirantes, e defendendo nossa soberania contra os interesses de outros países, somado à necessidade de escoar a produção aurífera das novas minas de Cuiabá fez surgir a Estrada de Ferro Noroeste do Brasil (NOB), que havia sido idealizada ainda no período imperial pelo próprio D. Pedro II, mas que não tinha saído do papel.

  A NOB foi projetada inicialmente para ligar a região noroeste do estado de São Paulo ao antigo estado do Mato Grosso. Durante o período da sua construção, que teve início no ano de 1905 em Bauru e término em 1914 em Corumbá, várias foram as dificuldades encontradas pelos feitores e seus comandados. Os obstáculos naturais por conta da geografia da região como o clima muito quente e a densidade das matas, ataques indígenas patrocinando verdadeiras carnificinas de ambos os lados, doenças tropicais, a rusticidade dos equipamentos e ferramentas, e as constantes imposições de mudanças no traçado, feitas por influentes latifundiários visando a valorização de suas terras, foram os óbices que merecem maior ênfase.

  Apesar das dificuldades, com o passar do tempo a estrada de ferro foi avançando sertão à dentro. Concomitantemente surgiram alguns lugarejos ao longo do traçado. Entre esses, um inaugurado em 02 de dezembro de 1908 foi a estação Araçatuba. Essa estação que na verdade era apenas um vagão que servia como posto de serviço, uma espécie de ponto de apoio à obra, foi o embrião do vilarejo que viria a ser, tempos depois, a sede do município e comarca com o mesmo nome.

  Com a conclusão da ferrovia, criou-se novas perspectivas para recém fundada vila, que até meados de 1922 era povoada por poucos homens que trabalhavam na ferrovia, e que dependia política e economicamente de Penápolis, sede da comarca à qual pertencia Araçatuba e outras cidades da região.

  A interligação da NOB com as ferrovias boliviana e chilena e posteriormente com a Ferrovia Paulista criou um corredor de transportes sem precedentes. Este corredor que ia do porto de Santos ao porto de Arica no Chile, ligando o Atlântico ao Pacífico, criou a mais importante via transcontinental da América do Sul, marco do nascimento da maior vocação da terra dos Araçás, a do desenvolvimento apoiado em sua estratégica posição geográfica.

 

Voltar ao índice

A emancipação política

 Uma intensa disputa por terras travada por duas décadas à partir de 1917, tendo como objetivo principal o quadrilátero denominado Fazenda Aguapeí, modificou para sempre o cenário político da região noroeste do estado de São Paulo.

 Alguns influentes políticos aliados a grileiros de terras, usando de suas condições privilegiadas, engenharam algumas formas de tentar tomar posse da fazenda, considerada devoluta e que representavam cerca de 50% de todo o território do município, uma área de cerca de 1.209.854,80 hectares.

 Há até uma teoria de que a NOB e alguns desses políticos mantinham um relacionamento estreito, manipulando a criação de cidades ao longo da ferrovia onde se fariam pequenos loteamentos visando facilitar no futuro a reclamação das terras e conseqüentemente evitar as disputas judiciais. 

 Entretanto, os litígios aconteceram e se arrastaram por anos, custando diversas vidas, muito dinheiro ao estado, destruição de cartórios, roubos de arquivos, subornos e outras atitudes pouco ortodoxas.

 Finalmente, no ano de 1922, com a intenção de arrefecer os ânimos dos litigantes por conta dos crescentes atritos, o governo do estado de São Paulo decide criar a Comarca de Araçatuba, trazendo o poder judiciário para ?dentro do conflito?. No mesmo ano foi instalado o Cartório de Registro de Imóveis de Araçatuba, sob a égide do seu primeiro Oficial, Dr. Joaquim Pompeu de Toledo.

 Entretanto o conflito por terras só teve fim em meados de 1939, quando finalmente foram proferidas as últimas sentenças sobre as demandas e os títulos de posse foram outorgados aos vencedores.

 

Voltar ao índice

O café e a imigração

 A necessidade de alimentar os trabalhadores da ferrovia fez brotar literalmente a plantação de subsistência, que representou à bem da verdade, a primeira atividade econômica de Araçatuba. Pouco tempo depois, desenvolveu-se na região noroeste a cultura que à época era a menina dos olhos dos exportadores brasileiros, o café.

 Nas décadas de 10 e 20 do século passado, o fruto era o principal produto de exportação do Brasil. Na esteira do avanço cafeeiro, vieram para a região os primeiros imigrantes japoneses, italianos, alemães, espanhóis, sírios e libaneses. Como conseqüência dessa imigração surgiram bairros rurais como Água Limpa, Prata, Jacutinga, Laboreaux e tantos outros tradicionais redutos de estrangeiros.

 Após um período de prosperidade, com a quebra na bolsa de Nova Yorque em 1929, uma forte crise se espalhou pelo mundo derrubando o valor do café a níveis baixíssimos, encerrando o primeiro ciclo do produto no Brasil.

 Contudo, o maior legado deste período para Araçatuba foi evidenciado pela providencial permanência dos pioneiros imigrantes. Fundamentais no enfrentamento da crise pelo fato de possuir larga experiência em encarar grandes adversidades, eles podem ser considerados responsáveis pela sustentabilidade econômica do município no período do colapso. Tomaram a frente e corajosamente implementaram culturas agrícolas alternativas com técnicas de produção trazidas de seus países de origem, fazendo surgir um novo horizonte para a região que viveu dias sombrios. 

 

Voltar ao índice

O algodão e a industrilização

 Adentrando pela década de 1940, após a amarga experiência da cafeicultura e a lição de que a monocultura poderia trazer os mesmos problemas no futuro, outras plantações passaram a dividir espaço no município. Produção de milho, amendoim, arroz, feijão, frutas e hortaliças variadas ganharam espaço no vazio deixado pelo café.

 No entanto, neste período o que ganha destaque é o cultivo de uma oleaginosa usada para produção não só de óleo, mas também para fibra de tecido, o algodão. Concernente ao surgimento da produção do algodão, diversas empresas de beneficiamento nacionais e multinacionais como Matarazzo, Anderson-Clayton, Sanbra, Acco, Brasmen instalam-se em Araçatuba, fazendo a cidade experimentar pela primeira vez o sabor da industrialização.

 

Voltar ao índice

"capital do boi gordo"

 A abertura da estrada boiadeira realizada por Manoel Bento da Cruz até as barrancas do rio Paraná na década de 1920, foi fundamental para introduzir Araçatuba no circuito da pecuária nacional. Este novo caminho colocou a cidade na rota dos tropeiros que traziam o gado do Mato Grosso para o abate nos frigoríficos de Barretos.

 Como era necessário parar à noite em lugar seguro para o pouso, com o passar dos anos Araçatuba foi sendo escolhida preferencialmente pelos boiadeiros, provavelmente pela boa estrutura que já possuía. Tempos depois, algumas boiadas começaram a viajar em vagões de trem e o desembarque também era feito aqui.

 A condição de principal parada e desembarque antes de Barretos tomou proporção tamanha que o nome da cidade ganhou fama pelo interior do Brasil. E já não era somente por ser lugar de passagem, mas pelas novas oportunidades de negócios.

 Mais uma vez, sua estratégica posição geográfica em relação ao mercado prevaleceu. A distância dos principais centros criadores do Mato Grosso e de Goiás em relação aos mercados do Rio de Janeiro e São Paulo era um fator de depreciação dos animais. O transporte terrestre e até mesmo o ferroviário provocava uma grande perda de peso que revertia em prejuízo aos criadores de gado de corte.

 A partir da década de 1950 o aumento de área de invernadas na região e a boa qualidade delas começou a atrair grande número gente do ramo. Famílias inteiras de migrantes de regiões como o sul de Minas Gerais e do Centro-Oeste mudaram-se para cá. Com isso, Araçatuba não demorou a se tornar referência no comércio de gado.

 Obviamente, cada criador teve grande importância no desenvolvimento da pecuária local, mas três em especial por razões distintas merecem destaque pela visibilidade que proporcionaram a Araçatuba.

 Um deles foi Sebastião Ferreira Maia, ou simplesmente Tião Maia. Proveniente de Minas Gerais, após obter sucesso como criador resolveu implantar na cidade um frigorífico. Influente no universo político nacional chegou a freqüentar os mais altos círculos da sociedade brasileira. Os seus produtos, que tinham na qualidade o seu diferencial de mercado, passaram a ser exportados e consumidos em vários países do mundo, relevando em muito a imagem da cidade no cenário da pecuária internacional.

 Pessoa de fino trato e muito querido por todos que o cercavam, Osvaldo Cintra além do dom para a pecuária também contribuiu, mesmo que indiretamente, pela fama nacional de Araçatuba. Foi incentivador de Tião Carreiro, um dos maiores astros da viola caipira. O violeiro foi outro mineiro que adotou Araçatuba como sua terra de coração. O carinho que Carreiro nutria por Osvaldo Cintra era tão grande que rendeu até uma homenagem em forma de música com nome dele, divulgando junto o nome da cidade e suas qualidades pelos quatro cantos do Brasil. 

 Outro personagem admirável na história da pecuária araçatubense é Torres Homem Rodrigues da Cunha. Um dos pioneiros na busca pela melhoria genética do rebanho bovino, ele enviou emissários a outros países, principalmente à Índia, com a incumbência de identificar e comprar matrizes de nobre linhagem. Obteve sucesso com sua iniciativa e contribuiu de forma decisiva para que hoje a pecuária araçatubense seja reconhecida mundialmente pelo desenvolvimento genético de bovinos.

 Para solidificar e honrar o título de ?Capital nacional do boi gordo?, desde 1959 a cidade é sede da maior feira agropecuária do estado de São Paulo e uma das três maiores do Brasil, a ?Expô Araçatuba?. É realizada pelo Siran - Sindicato Rural da Alta Noroeste no mês de julho e que reúne a elite da pecuária nacional.

 

Voltar ao índice

Expansão Urbana

 Entre as décadas de 60 a 80, Araçatuba viveu seu segundo período de grande expansão urbana. Diversos edifícios e loteamentos foram lançados e a cidade chegou até lugares antes não imaginados. Bairros além da Rodovia Marechal Rondon como Jussara, Guanabara, e outros como Planalto, TV, Paraíso, Rosele, Alvorada, Palmeiras, que desafiaram o preconceito contra a distância e foram sendo intensamente habitados.

 Entre esses o jardim Nova Yorque em especial destacou-se pelo gigantismo do empreendimento. Seu marketing sofisticado até para o padrões atuais, guardadas as proporções, e sua invejável infra-estrutura com itens incomuns para a época, que incluía esgoto, asfalto, iluminação pública, diversas praças, e uma via de acesso ampla com um belo passeio público bem iluminado, a Avenida Brasília. 

 É necessário e até sensato dizer que o sucesso não se deu só pela estrutura e pelo glamour, mas também pelo fato dele ter sido concebido e realizado rigorosamente de acordo com as leis de parcelamento de solo, um forte elemento gerador de segurança jurídica.

 O projeto, que foi idealizado por Elísio Gomes de Carvalho, homem de rara visão comercial, empreendedor na acepção da palavra, transformou-se em modelo para outros empreendimentos que visam ao mesmo sucesso.

 

Voltar ao índice

 

Texto elaborado pelo preposto José Augusto Pereira dos Santos, e as fotos foram extraídas do sítio da Prefeitura Municipal de Araçatuba.
 
 
     
 
 
     
     
 
     
  COMO CHEGAR  
   
     
 
© Copyright, Registro de Imóveis e Anexos de Araçatuba 2017 - Todos os direitos reservados